A Operação Formosa colocou o cerrado goiano no mapa militar do planeta. Em setembro de 2024, entre os dias 4 e 17, cerca de 3.000 militares de 10 países ocuparam o Campo de Instruções de Formosa, em Goiás, no maior exercício terrestre da Marinha do Brasil, segundo a DefesaNet. Menos de um ano depois, em agosto de 2025, veio o impensável: a edição seguinte foi cancelada, quebrando uma sequência que vinha desde 1988.
Segundo o Poder Naval, o cancelamento anunciado em 20 de agosto de 2025 combinou restrições orçamentárias, a priorização da Operação Atlas ao lado do Exército e da Força Aérea, a reserva de recursos para a COP 30 em Belém e a crise diplomática com os Estados Unidos, que já havia retirado seus fuzileiros navais do exercício.
Um pedaço de guerra no meio do cerradoDesde 1988, todos os anos, a Marinha do Brasil faz algo que parece contradição em termos: leva sua força de assalto anfíbio para o coração seco do Planalto Central, a centenas de quilômetros da praia mais próxima. O Campo de Instruções de Formosa, em Goiás, virou o endereço onde os fuzileiros navais brasileiros ensaiam a guerra em escala real, com espaço para manobrar blindados, disparar artilharia de verdade e coordenar aviação de combate.
A lógica é simples: nenhum quartel à beira-mar oferece área livre suficiente para movimentar milhares de homens e dezenas de viaturas com munição real. O cerrado oferece. E foi assim que a operação se consolidou, segundo o Poder Naval, como o maior exercício terrestre da Marinha no Planalto Central, repetido sem interrupção por mais de três décadas.
A edição que juntou EUA e China no mesmo campoA edição de setembro de 2024 elevou o exercício a outro patamar. Segundo a DefesaNet, além dos cerca de 3.000 militares brasileiros, a operação recebeu representantes de 10 países, incluindo África do Sul, Argentina, França, Itália, México, Nigéria, Paquistão e República do Congo.
O detalhe que fez a edição entrar para a história está em dois nomes da lista: fuzileiros navais dos Estados Unidos e da China participaram juntos da parte operativa do exercício, um encontro raríssimo entre as duas maiores potências militares do mundo dentro de um treinamento no interior do Brasil. Enquanto Washington e Pequim se encaravam em todos os tabuleiros geopolíticos, seus fuzileiros dividiam o mesmo cerrado goiano sob coordenação brasileira.