A professora de Geografia Fabiana Rocha criou para Nathan gráficos com diversas texturas, pirâmides etárias de Lego, mapas com divisões em linhas e grãos, entre outros materiais táteis
“Quem me conhece sabe o quanto amo ser professora e como não consigo conceber a ideia de um aluno ser excluído de alguma maneira das minhas aulas e do processo de ensino e aprendizagem”, afirma.
Dentro da instituição, a metodologia de ensino é apostilada (fechada), o que frustrava a professora, que queria encontrar maneiras de incluir Nathan com mais eficiência no processo de aprendizagem.
O Colégio Mario Schenberg
Professora oferece inclusão com material tátilDias antes do período de provas, enquanto montava uma avaliação para uma turma recheada de pirâmides e gráficos, Fabiana subitamente teve uma ideia: fazer um material 100% tátil para Nathan.
“Comecei a pesquisar, estudar, criar e saiu os primeiros materiais – gráficos com diversas texturas (E.V.A com Glitter, felpudo, liso etc.), pirâmides etárias de Lego, mapas com divisões em linhas e grãos (feijão, milho etc) entre outros”, conta.
Chegado o dia da prova, a professora, apreensiva, sentou-se ao lado do menino e disse: “Nathan, preparei algo diferente para você”. O pequeno abriu um sorriso no rosto, e naquele momento, Fabiana teve certeza que tudo daria certo.
No decorrer da avaliação, ela utilizou o material tátil em conjunto com os conteúdos vistos em sala, e logo se emocionou ao presenciar o aluno respondendo a absolutamente todas as questões da prova com o auxílio do material tátil.
“No final da prova ele chorou, agradeceu por eu ter feito o material para ele e eu chorei junto em saber que venci um obstáculo dentro da inclusão na educação”, afirma a professora.
Atualmente, Nathan e sua turma estão finalizando o terceiro bimestre.
Fabiana conta que o menino tem crescido muito, apoiado pelos colegas e pelo material de sala, que conta com atlas em braille e leitura de gráfico com Lego. “Aqui, o que não nos falta é a alegria e compromisso no ensinar e aprender”, diz.
Na sexta-feira passada (13), Nathan presenteou Fabiana com um quadro e disse que queria ter desenhado a professora, chegando a perguntar à ela como eram seus traços, mas que resolveu não fazer “pois sempre quando pensa em seu rosto não ‘enxerga’ olhos, nariz e boca, mas uma luz”.
Para a docente, esse quadro é muito mais do que um presente – é um sentimento de dever cumprido. “Ser professor nos dias de hoje é mais do que ser luz… Educar é criar pontes de possibilidades e eu amo isso“, conclui.
Confira o relato da professora na íntegra:
“Conheci o Nathan há 4 meses, em uma das escolas que dou aula… Passou a ser meu aluno após uma atribuição de mais 3 salas para minha carga horária.
Comecei as aulas em sua turma e meu maior desafio era ensinar Geografia para um aluno cego…Quem me conhece sabe o quanto AMO ser professora e como não consigo conceber a ideia de um aluno ser excluído de alguma maneira das minhas aulas e do processo de ensino e aprendizagem.Na escola em questão a metodologia de ensino é apostilada e eu voltava todos os dias frustada para casa, pensando em como ensinar à ele de uma maneira que pudesse incluí-lo…Até que chegou o período de provas e montando uma prova de uma determinada turma onde eu estava utilizando gráficos e pirâmides etárias eu tive uma ideia…Fazer um material tátil para ele!Comecei a pesquisar, estudar, criar e saiu os primeiros materiais.Gráficos com diversas texturas(E.V.A com gliter, felpudo, liso) Pirâmides etárias de Lego, Mapas com divisões em linhas e grãos (feijão, milho etc) entre outros…
“Chegou o dia da primeira prova, confesso que eu estava com frio na barriga…Não sabia se conseguiríamos utilizar o material, mas quando ele se sentou na minha frente e eu disse “Nathan preparei algo diferente para você” o sorriso dele me trouxe a certeza que daria certo… Ao decorrer da avaliação fui utilizando o material aliado aos conteúdos vistos em sala e me emocionei presenciando ele responder a TODAS as questões com o auxílio do material tátil… No final da prova ele chorou, agradeceu por eu ter feito o material para ele e eu chorei junto em saber que venci um obstáculo dentro da inclusão na educação…Estamos finalizando o terceiro bimestre e ele tem crescido muito ! Hoje já temos atlas em braille e leitura de gráfico com Lego, mas o que não nos falta é a alegria e compromisso no ensinar e aprender.Na sexta feira ele me deu esse quadro, disse que queria ter me desenhado (chegou a me perguntar como era meus traços ) mas que resolveu não fazer pois sempre quando pensa no meu rosto não “enxerga” olhos, nariz e boca mas uma luz….Esse quadro é mais que um presente é um sentimento de dever cumprido.
Ser professor nos dias de hoje é mais do que ser Luz !
Educar é criar pontes de possibilidades e eu amo isso ♥️”
Via razões pra acreditar!