DNIT afirma que a “Travessia Urbana” será finalizada no primeiro semestre de 2026. Em ano de Copa do Mundo é mais fácil acreditar no Hexa?
Há obras públicas que viram símbolo de progresso. Outras viram símbolo de descrédito.
A Travessia Urbana da BR-020, em Formosa, definitivamente pertence ao segundo grupo. Iniciadas em 2020, paralisadas em 2022, retomadas apenas em 2024 e agora com nova promessa de conclusão para o primeiro semestre de 2026, as obras caminham para completar sete anos — um prazo incompatível com qualquer discurso de eficiência.
Em boletim divulgado em novembro de 2025, o DNIT voltou a afirmar que os trabalhos estão em “estado avançado de execução”. A pergunta que fica é simples: avançado em relação a quê? À expectativa da população? Certamente não. Ao calendário? Muito menos.
São cerca de R$ 202 milhões em recursos públicos, oriundos do Novo PAC, aplicados em uma intervenção que deveria melhorar a mobilidade, reduzir riscos e impulsionar o desenvolvimento regional. No papel, tudo faz sentido. Na prática, Formosa convive com transtornos diários, desvios improvisados, insegurança viária e uma sensação constante de obra sem fim.
A BR-020 é estratégica. Liga o Centro-Oeste ao Nordeste, suporta cerca de 16 mil veículos por dia e é fundamental para o escoamento da produção, o turismo e o deslocamento de trabalhadores que vivem ou atuam no Distrito Federal. Justamente por isso, o atraso não é detalhe — é um problema estrutural.
A cada novo prazo anunciado, renova-se também a descrença. Promessas técnicas já não convencem quem passa diariamente pelos canteiros. Falta algo essencial: resultado visível.
Em ano de Copa do Mundo, o brasileiro se permite sonhar com o hexa. Em Formosa, no entanto, sonhar com a conclusão da Travessia Urbana da BR-020 soa quase como otimismo excessivo.
Sete anos depois, a pergunta permanece ecoando entre o concreto armado e os tapumes: quando esses elefantes brancos finalmente vão sair do papel — e da paisagem?